by gizaa

3 de maio de 2010

UMA ESCOLA PARA TODOS (Parte 1)

Quando as pessoas vêem a Maria tão bem, lendo escrevendo, discutindo, argumentando, lidando com computador, internet, orkut, msn, enfim , se torna , inconsciente, quase inevitável, o bombardeio de perguntas já de rotina:

Ela lê?
,Ela vai na escola?
Mas quantos anos ela tem?
E como ela é na escola?
Ela se acerta bem ?
Como ela é na escola?
Tem muitos amiguinhos?
E mtos se calam na hora daquela derradeira pergunta: e como a escola é com ela?
Bem aí a pergunta pode ter dezenas de desdobramentos possíveis e imagináveis:
tem rampa?,
é adaptada?,
como os professores são com ela?
, vai como?
quem ajuda?,
enfim, e por aí vai.

Pensando bem sobre essas perguntas, a resposta que me vem a mente é uma frase bem simples da própria Maria:
" A minha escola é TUUUDO de bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!"


E de fato , realmente é.
Mas não e fácil pensar nisso sem uma certa amargura.
Nem sempre as coisas foram assim. Tampouco foi fácil ou simples chegar onde chegamos. Tivemos sorte? Também.


Mas o fato de termos corrido muito atrás de uma escola que a acolhesse tem muito mais a ver do que a sorte.
Foram muito meses de procura, de negativas, de desculpas educadas, mas nem por isso menos dolorosas. De sugestões estúpidas, de desculpas esfarrapadas, do entusiasmo ao desanimo em segundos....

Ela frequentou durante os anos de educação infantil uma escola excelente, com bons professores, bons colegas, boa educação e o principal : teve um excelente desenvolvimento.


Foi uma escola maravilhosa e acolhedora e um grupo, uma comunidade escolar onde ela jamais precisou saber o sentido da palavra inclusão. Pelo simples fato dela jamais ter se sentido excluída. Por ter sido sempre parte de um todo, e não um apêndice qualquer que precisasse ser carregado.




Assim foi durante a educação infantil e assim eu gostaria que continuasse sendo vida escolar afora.
Sou professora de séries iniciais da rede estadual e quando ela foi se aproximando da época de se despedir da educação infantil e ingressar no ensino fundamental, pra nós o óbvio, o lógico, o ideal, seria matricula-la na mesma escola que eu.


Poderíamos ir juntas e voltar juntas, o que resolveria não só a questão do transporte como do tempo de espera entre o fim da aula e eu chegar para busca-la.


Também o fato de estarmos no mesmo ambiente resolveria as dificuldades e as saia justas que eu enfrentava cada vez que tinha que deixar o trabalho num rompante no meio da tarde por chamados da escola dela. Enfim, pra nós era o ideal.


A escola em que eu trabalhava estava fora de cogitaçaõ. Além de seus acesos serem apenas por longos lances de escada, o espaço físico e a estrutura da escola jamais comportariam as modificações que seriam necesarias.


O que fazer então?
Procurar uma escola que tivesse as condições físicas necessárias, manifestar já a intenção de matricula-la e pedir tranferencia para mesma.
Tudo muito simples, fácil e pratico.??????


Esse foi o nosso primeiro choque. No mês de Julho começamos procurar uma escola , pra dar o tempo necessário para que pudessem ser feitas as adaptações que ainda fossem necessárias.Procura, procura, procura..... e nada.


Foram tantas escolas que até perdemos a conta. Todas tinham um porem, uma justificativa, um problema, um bom motivo, pra que não a matriculássemos naquele lugar, Todos muito educados, gentis, amáveis, prestativos.....
Não havia jeito de conseguirmos uma escola que tivesse condições de transitar uma cadeira de rodas. Eu não admitia menos que isso. Mas foram passando os dias e cadê de encontrar a escola ideal.?


Um certo dia ouvi falar de uma escola não muito longe de casa, que além de ter os dois prés( o Mig poderia ser matriculado também) ainda era em sua totalidade plana e pele que me disseram a qualidade do tratamento, do trabalho, enfim seria o ideal pra Maria.
Fui conhecer a tal da escola.
A principio me parecia excelente, mas quando tocou de conhecer a parte da pré escola e 1º ano, que decepção. 4 degraus...
Pode parecer muito pouco pensando a principio, mas 4 degraus podem ser suficientes para dificultar a vida em todos os sentidos.


Seria necessária uma pessoa que se responsabilizasse por subir e descer com ela, ela nunca poderia ir pra sala, ou vir da sala pra outros lugares da escola sozinha com os colegas. Sem falar nos riscos que existem sempre, de cair da cadeira, na cadeira,com a cadeira por cima....isso só pra começar.
Enfim, o desanimo tomou conta de mim.... Que podia fazer? Foram varias noites em que a lembrança de 4 degraus não me deixava dormir..
.
Resolvi então ´procurar a Coordenadoria de educação e expor a minha situação. Minhas buscas não tiveram êxito e deixaria a cargo da CRE a responsabilidade de provindenciar uma escola acessível. Já estava cansada e o desanimo já começava a me dominar.


Mas qual não foi minha surpresa quando disseram que não tinha problemas em matricula-la naquela escola, que seriam feitos os encaminhamentos para que fossem feitas as adaptações em tempo hábil, para que no inicio das aulas em março, o problema fosse solucionado.


Era inicio de setembro. Haviam 5 meses pela frente...
Na mesma ocasião foi discutida a situação a Maria e me informaram que pela data de nascimento coincidia a janela de idade em que ela poderia já ser aceita no primeiro ano do ensino fundamental e que as condições de aprendizagem permitiam que ela "pulasse o pré 2 e fosse adiante. Honestamente, eu mesma era bem descrente de que ela pudesse acompanhar uma turma de 1º ano, mas....
E também fui informada que eu poderia ser transferida para a mesma escola para vaga de professora monitora, que seria aberta no momento da matricula de uma aluna especial. Doce ironia do destino....
Enfim, na data certa efectuamos a matricula e esperamos pelo próximo ano letivo


1 comentários:

Teresinha disse...

Maria Luiza cada novo relato uma lição de superação, que lindo ver você ai no meio de tantos amiguinhos sorrindo feliz !!!!!
Te desejo do fundo de meu coração Muita luz em seu caminho. Bjs

 

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